
Eiró
Entre encostas e colinas, o balido dos animais mistura-se com a frescura constante do rio. As tarefas do dia são interrompidas e as pessoas, profundas no seu saber, encontram-se sob o pretexto de brincar e dançar. As conversas interditas recomeçam. O vinho rega os desejos e solta as inibições; o pão alimenta a força da festa e o azeite unge os corpos endurecidos pelo desgaste da terra. Tudo se alinha para que, no Eiró, o encontro aconteça.
Avançamos alguns anos: os animais e os campos dão lugar às máquinas e aos edifícios. Já não há o compromisso diário com o trabalho agrícola; ainda assim, os corpos continuam cansados e as pessoas continuam a precisar — talvez ainda mais — do momento em que se voltam a encontrar. Encontros simples, sublimes, despidos do quotidiano. Já não existem eiras comunitárias; já não é preciso descamisar o milho para soltar a voz; os espaços públicos centrais dos lugares outrora habitados foram ocupados por outras vidas.
Do desejo de seis músicos nasce o Eiró, este não-lugar feito de pessoas contemporâneas e de experiências vividas que procuram a profundidade da música de raiz tradicional portuguesa. Num tom festivo, o Eiró convida a uma viagem por Portugal onde a celebração da paleta sonora de pasodobles, chulas e viras é o tema central. Mais do que o prefixo “Re”, de revisitar ou reinventar, o Eiró expressa identidade portuguesa.
Somos seis músicos, nascidos nestas terras e viajantes do mundo. Vivemos na cidade com um coração de montanha, percorremos avenidas com olhos que recordam os caminhos de terra. Construímos uma ponte entre os nossos antepassados e as crianças que hão-de vir; a música é a nossa linguagem e o Eiró o espaço onde conversamos.
MEMBROS
- Ricardo Leão: Caixa, adufe, trancanholas, percussão tradicional, Voz
- Ricardo Coelho: Bombo, Sopros, Gaita-de-foles, Gralha, Adufe, Voz
- Rui Lopes: Viola Braguesa, Guitarra, cavaquinho, Adufe, voz
- Claudio Barruma: Teclado, Voz e adufe
- Alice Boavista: Voz e Adufe